segunda-feira, 22 de outubro de 2007

sob fogo cruzado



Tudo é amor*

Um homem pode se afobar
E pegar o caminho errado
Homem que é homem volta atrás
Mas não se arrepende de nada
Sabe que a vida é pra lutar contra um dragão invisível
Que mata os sonhos mais banais
Que acha que é tudo impossível

Um homem que veio do pó
É o que transforma o pó em ouro
Um homem foi criado só
Mas vive em função do outro
Na natureza onde ele é rei
No universo onde não é nada
Na incerteza e no prazer
Na ilusão de ser amado

Tudo é amor
Mesmo se for por carma
Tudo é amor
Pretensão descarada

Um homem nasce pra cagar nas regras desse paraíso
Um homem deve procurar a fruta que foi proibida
No meio dessa multidão
Na escuridão e na agonia
Poder chamar alguém de irmão
E ter um sono bem tranqüilo

Tudo é amor
Mesmo se for por carma
Tudo é amor
Pretensão descarada

Um homem nasce pra brincar
E não pra esculhambar a vida
Um homem nasce pra curar
E cutucar a ferida
Mesmo se for pra transformar num inferno um céu conformista
Mesmo se for pra guerrear
Escolha as armas mais bonitas


cazuza


*mas nem tudo é verdade

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

pra quem acredita


Eu acredito no sol
Eu acredito no trânsito
Eu acredito no toque de recolher
Eu acredito na ida
Eu acredito na gasolina
Eu acredito em teclados
Eu acredito em papéis
Eu acredito em pratos
Eu acredito em lápis
Eu acredito em camas
Eu acredito em ônibus
Eu acredito em bolsas
Eu acredito em copos
Eu acredito em pedras
Eu acredito na caixa registradora
Eu acredito em portas
E por fim...
Eu acredito na grande abóbora!

O resto eu aceito com certa reserva.


"Todo ano a grande abóbora se levanta do canteiro de abóboras que ela julga o mais sincero.
Tem que ser este aqui! Tem que ser!!! Não pode existir um canteiro de abóboras mais sincero que este aqui. Pode olhar em volta que cê não vê um sinal de hipocrisia!"
Linus

terça-feira, 9 de outubro de 2007

errores



Passo na frente da Igreja de São José, o silêncio me incomoda.
Praça Sérgio Loreto e tenho um estalo: tá tudo errado!!!
Rua Imperial: Tá tudo errado, tudo errado, tuuuuudo errado!
Ecos.
Engarrafamento.
Ponte de afogados: Tá tudo errrado, tá tudo errado... ops! o telefone toca.
Amiga repassando notícias bombásticas, o carro está superaquecendo...
A ligação cai.
Largo da paz: Tenho a certeza. Tá mesmo tudo errado e não é só um pedaço não, tá tudo contaminado de erros.
O que fazer com esta preciosa descoberta?

Pausa.

Manhã seguinte recebo da bombástica:

" E abri a boca para que a minha alma fosse embora. E ela foi. Senti quando caiu em minhas mãos o fiozinho de sangue com que estava amarrada ao meu coração".

Pedro Páramo, Juan Rulfo


Pausa.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

ophelia sequelada



Eu ontem eu estava me lembrando de filmes que eu adorei e que não fizeram sucesso.
Me veio à memória um que contava a história de dois adolescentes, uma menina que estudava num colégio interno religioso e se apaixonava por um carinha que estava num reformatório perto do convento/escola. Esse lugar ficava distante da cidade no meio de uma floresta. Numa determinada cena a protagonista está num lago fazendo um auto retrato tentando reproduzir esse quadro aí de cima que mostra Ophelia. Foi tão lindo e o resultado tão legal, que por muitos e muitos anos eu alimentei a vontade de fazer uma foto igual. O que eu não tinha me ligado, do alto de todo o meu conhecimento adolescente, era na história da Ophelia. Personagem da peça Hamlet de Shakespeare (uia que chique!). Ela tem uma affair com o danado do Hamlet (o príncipe em crise e melancólico da Dinamarca), mas seu pai e irmão fazem de tudo pra afastá-los, acham que ele só quer se aproveitar da coitadinha e que nunca vai se casar com uma plebéia e tal. No meio desse redemunho todo, Hamlet mata o pai de Ophelia por engano. Fica “meio” pertubado com as visões e conversas que tem com o pai morto e é mandado pela mãe (que com menos de um mês da morte do marido se casa com o cunhado que virou rei) pra longe. Ophelia fica maluquinha e comete suicídio afogando-se no rio. Pra encurtar a história: todo mundo morre no final. Definitivamente havia algo de podre no reino da Dinamarca. E eu ainda quero fazer essa foto!

domingo, 30 de setembro de 2007

sonhos de uma noite de verão



Ontem meu pequeno, antes de dormir, fez uma pergunta interessante:
"Mamãe com o que você quer sonhar hoje?"
Eu ri e pensei em dizer que não sonhamos com aquilo que queremos, mas resolvi entrar na dele
e respondi: "Eita! Não sei... Ainda nem pensei." Ele insistiu:
-Fala mamãe!
- Huuuumm... com a praia! Eu acho muito linda.
- Ah... eu também gosto da praia. Bora sonhar com a praia.
Então ele falou bem seguro:
- Vamos dormir! Agora tem que fechar os olhinhos...

E aí? Com o que você quer sonhar hoje?

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

um dia de setembro



Existem poucas coisas lícitas que fazem você se sentir viva, questionadora e totalmente vulnerável aos efeitos que Nina Simone no pé do ouvido causam.
Tenho um certa vergonha de chorar (mesmo pra dentro), ainda estou tentando me livrar das cordas... Não é mais tão fácil se expor, não sou mais aquela que tinha 16 anos.
Mas eu vou tentando, tô ensaiando. Será que há um risco muito grande em ser rídicula?
Ridícula ou ridicularizada? Porque a dor alimenta e digere e come... E tudo te diz coisas, todas as músicas falam com intimidade, todos os versos foram do teu caderno e a gente fica assim egocêntrica. Aquela dor é minha! Tão bonita, tão singela... e eu quero pegar pra mim!
"He needs me, he doesn't know it, but he needs me... Cause my one ambition is to wake him and make him discover that he needs me. I've got to follow where he leads me or else he'll never know that I need him just as he needs me."
Nina tá aqui conversando comigo e eu disse a ela que espero em breve poder roubar letras e sons de alegria lícita.
"Huuuummm... Ok, babe!"

terça-feira, 25 de setembro de 2007